Recife

Capela da Ordem Terceira de São Francisco

acesseigrejas on 09/06/2019

Ordem Terceira de São Francisco do Recife

Popularmente conhecida como capela dourada, este patrimônio é um dos mais ricos em ouro do país, mistura alguns estilos arquitetônicos, como barroco e rococó.

1606
Fundação do Convento e Igreja dos franciscanos, no Recife, na Ilha de Santo Antônio.(p. 8)

1695 – 1696
Ereta em 12 de junho de 1695, a Ordem Terceira de São Francisco do Recife. O Capítulo dos religiosos franciscanos, ocorrido na Bahia, em 20 de novembro do mesmo ano, confirmou a sua ereção e nomeou o Frei Jerônimo da Ressurreição como seu primeiro comissário. Também nesta reunião foi aprovada a petição dos Terceiros para dar início à construção de uma Igreja própria para a Ordem Terceira (atual Capela Dourada), e decidiu-se qual, e quanto, terreno seria doado pelos frades para tal fim. Como retribuição à doação, os Terceiros seriam obrigados a dar aos franciscanos 2$000 (dois mil réis) por cada cova ou alcatifa que fossem utilizadas pelos seus irmãos.(p. 9 – 10) 

No ano seguinte, o provincial, Fr. Jacome da Purificação confirmou a doação e passou escritura do terreno que existia do lado sul do Convento, começando do muro junto ao Cruzeiro até o outro muro da parte do rio da Boa Vista, correndo pela sacristia da igreja, onde seria edificada a capella da Ordem com arco para a igreja do Convento, todas as mais casas e tudo afinal que fosse julgado necessário. (p.11)(grifo nosso)

A primeira pedra da Igreja/Capela Dourada foi lançada já em 13 de maio de 1696, pelo Governador e Capitão Geral Caetano de Mello e Castro.

1697
Apenas dezesseis meses depois de começada, a Igreja da Ordem Terceira/Capela Dourada foi aberta ao público, em 15 de setembro de 1697, tendo-se gasto, até aquela data 1:356$010 (hum conto, trezentos e cinqüenta e seis mil e dez réis). Para ter sido aberta ao público, a Igreja/Capela Dourada deveria já ter pronto, em condições decentes de funcionamento, pelo menos o altar-mor, como depreende-se da Memória do dia em que se disse na nossa igreja a primeira missa nova: benzeo a nossa nova Igreja e logo q. se acabou este acto se entrou a celebrar o Sto. Sacrificio da Missa no altar Mayor e pa. q. conste se mandou fazer este termo (…).(p. 13) (grifo nosso)

1698
Neste ano foi contratado, e executado, o entalhe da capela-mor da Igreja/Capela Dourada, com: dois nichos para São Cosme e São Damião, um sacrário (frontal), um painel e um armário de cada lado da capela-mor (para servir de credência). O serviço foi executado pelo mestre pernambucano Antonio M. Santiago, por 220$000 (duzentos e vinte mil réis).(p. 17)

Executou-se também neste ano a primitiva grade de jacarandá que separa a Igreja da Ordem Terceira/Capela Dourada da Igreja conventual franciscana; esta peça foi entalhada pelo irmão franciscano Luiz Machado.(p. 18)

1699 – 1700
Pinturas dos quadros da Igreja/Capela Dourada(p.14) e douramento de alguns painéis(p.16), provavelmente os da Capela-mor. Segundo informações de Fernando Pio, não existem nos livros da Ordem Terceira referências à compra de imagens em épocas próximas da inauguração da sua Igreja/Capela Dourada.(p.15)

1701 – 1702
Pintura dos painéis do forro da Igreja/Capela Dourada.(p. 14)

1702 – 1703
Neste ano os Terceiros resolveram construir uma Casa de Exercícios ao lado da sua Igreja/Capela Dourada, a fim de que os Irmãos tivessem um espaço reservado para as orações concernentes ao período do noviciado. A princípio, a Casa de Exercícios foi uma simples capela, separada da rua do Imperador por um muro que lhe escondia a fachada – assim como das demais edificações pertencentes à Ordem Terceira.(p. 19)

1704
Neste ano foram comprados os azulejos dos painéis que se encontram na referida Igreja/Capela Dourada.(p.16) Não há informações precisas acerca da data em que os mesmos foram colocados.

1707 – 1710
Execução dos dois retábulos das paredes laterais da Igreja da Ordem Terceira/Capela Dourada.(p.16)

1715 – 1717
Douramento dos demais painéis da Igreja da Ordem Terceira/Capela Dourada.(p.16)

1723
Início das obras de edificação do Hospital da Ordem Terceira de São Francisco. Por volta de 1725 – 1726 as obras foram suspensas em virtude de uma disputa com os frades por conta de algumas janelas do Hospital que abriam para o lado do convento.(p.26) O Hospital foi inaugurado em 12 de novembro de 1784, ocupando a parte superior do edifício, embaixo construíram-se várias casinhas para alugar.

1724
De acordo com Fernando Pio, apenas neste ano acabaram-se as obras da Igreja da Ordem Terceira/Capela Dourada. Desta data em diante já não aparecem informações sobre obras na referida Igreja/Capela Dourada no Livro de Receita e Despeza. Também em 1724 começou-se a construção do Hospital, que deve ter canalizado os recursos financeiros da Ordem Terceira.(p. 13-14)

1728 – 1730
Execução dos retábulos e obras na talha e no douramento do altar do Santo Cristo da Casa de Exercícios; pintaram-se também painéis para a referida Casa.(p. 19) 

1731
Compra do lavabo existente na sacristia da Igreja/Capela Dourada. Foi executado na cidade de Extremoz, em Portugal, e custou 72$000 (setenta e dois mil réis). Também neste ano foram comprados os dois grandes espelhos que se encontram na sacristia, por 26$000 (vinte e seis mil réis).(p. 25)

1736
Fatura dos altares do Senhor Ecce Homo e do Senhor dos Passos na Casa de Exercícios.(p. 20)

1741 – 1742
Em virtude do mau estado da grade de madeira original, que separava a Igreja dos Terceiros/Capela Dourada, da Igreja conventual franciscana, a mesma foi substituída por uma outra grade, também de madeira.(p. 18)

1753 – 1755
Provavelmente por necessidade de mais espaço para os noviços da Ordem Terceira, os Irmãos acordaram na realização de amplas reformas na sua Casa de Exercícios, a fim de transformá-la em Casa do Noviciado. O historiador Fernando Pio nos informa que tornou-se, então, a capellinha muito mais ampla (p. 20), sem, contudo, precisar exatamente quais reformas, ou reedificações, foram efetuadas. Em 1755 compraram um pórtico para a Casa do Noviciado, vindo de Lisboa, ao preço de 282$500 (duzentos e oitenta e dois mil e quinhentos réis).

1762
Douramento da capela-mor da Casa do Noviciado (antiga Casa de Exercícios).(p. 20).

1764
Colocação da mesa de pedra que está no centro da sacristia. Esta fora importada de Lisboa, em 1761, através de João de Mattos Beraner.(p. 25)

1772
Douramento do altar do Senhor da Coluna da Casa do Noviciado (antiga Casa de Exercícios).(p. 20).

1773
Construção das catacumbas da Ordem Terceira.(p. 72)

1776 – 1777
Recuperação do forro da Igreja/Capela Dourada, tendo sido mantidos os seus painéis.(p. 14)

1794
Douramento das sanefas e portadas da Casa do Noviciado (antiga Casa de Exercícios).(p. 20)

1801 – 1803
Em 1801 a Ordem Terceira decidiu destinar a sua primitiva Igreja principal (atual Capela Dourada) para servir de Capela dos Noviços, e remodelar a Casa do Noviciado para que passasse a servir de Igreja principal da Ordem Terceira. Tal resolução foi justificada pelo fato de que a antiga Igreja/Capela Dourada já não correspondia ao progresso da época bem tão pouco à dignidade da Ordem que sendo creada por meio de esmolas, dellas tendo sempre vivido, por elas também se tinha tornado abastada (grifo nosso).(p.20) Por esta justificativa podemos supor que a remodelação da Casa do Noviciado, e conseqüente transformação em Igreja principal dos Terceiros, seria realizada de acordo com os cânones artísticos do início do século XX, evitando-se toda referência ao estilo da antiga Igreja (Capela Dourada).

No mesmo ano, de 1801, os frades franciscanos autorizaram as modificações e, em 1803 resolveu-se, em Mesa Conjuncta de 14 de Outubro de 1803, sendo ministro o irmão Manoel de Oliveira Guimarães, que se levantasse um frontispício na “Casa do Noviciado”, para que esta ficasse servindo de igreja principal e a capella dourada passasse a ser, então, capella dos noviços, fechando-se, para isto, o grande arco existente entre esta igreja e a do Convento (o que aliás nunca se executou) e levantando-se o dito frontispício da nova igreja principal sobre os mesmos alicerces que já existiam, nada se devendo innovar na sacristia, que continuaria a servir para esse mesmo mister, visto como, sem se tocar nella, seria possível executar a capella-mor, da nova igreja, abrindo-se, entretanto, no muro da frente um grande portão.(p. 20-21) 

É possível que a antiga Casa do Noviciado tenha tido seu corpo ampliado em direção à rua do Imperador, uma vez que não foram planejadas modificações na sacristia, ou, ainda, é bastante provável que já existissem os marcos para uma ampliação futura (prevista em 1755, quando foi comprado o pórtico?), pois, as referências à existência do alicerce para o frontispício indicam algum trabalho já realizado para a ampliação do templo.

1804
Em janeiro deste ano a Ordem comprou, para a nova Igreja, o frontispício que viera de Lisboa para a Igreja do Corpo Santo, que o vendia por dois contos de réis, pagos em prestações anuais de 200$000 (duzentos mil réis).(p. 21).

1815 – 1816
Contratação, em 1816, do mestre entalhador Felipe Alexandre da Silva para a fatura da talha dos dois altares do cruzeiro, por 720$000 (setecentos e vinte mil réis), e de outros dois altares da nave pelo mesmo valor. Um ano antes, em 1815, a Mesa dos Terceiros havia decidido que a nova Igreja deveria ter, além do altar-mor, apenas 4 altares laterais, tapando-se o quinto e o sexto altares existentes junto ao coro (construídos na ampliação de 1755?).(p. 22)

1823
Consertos na talha da capela-mor da nova Igreja, fatura do cordão de pedras para a grade e fatura da mesma.(p. 21-22)

1825
A Mesa reafirmou a decisão de ter apenas 4 altares laterais na nova Igreja, ordenando que, no lugar de cada um dos altares junto ao coro (fechados em 1815), se abrisse uma tribuna.(p. 22) Não há informações precisas acerca da efetivação desta decisão.

1826 – 1827
Término da pintura dos 4 altares laterais, que haviam sido executados pelo mestre Felipe Alexandre da Silva em 1816. Concluiu-se também a pintura das tribunas e púlpitos(p. 22); e o entabicamento, pintura e douramento do teto.(p. 24)

1828
Término da construção da nova Igreja da Ordem Terceira (antiga Casa do Noviciado). A Igreja foi benta em 17 de setembro de 1828, quando também benzeram-se novamente todas as imagens, previamente reencarnadas.(p. 21)

1830
Colocação do púlpito da Igreja/Capela Dourada. De acordo com Fernando Pio, esta peça pertencera ao convento franciscano e fora entalhada em 1796.(p. 18)

1830 – 1831
Douramento do coro da nova Igreja dos Terceiros.(p. 24)

1833
Fatura da grade de ferro com portão, que separa a Igreja da rua do Imperador. A grade foi colocada no ano seguinte (1834), tendo custado 1 conto de réis, mais 320$380 de outros materiais e mão-de-obra.(p. 23)

1834 – 1836
Em outubro de 1834 os Terceiros decidiram voltar atrás em relação aos dois altares junto ao coro, que haviam sido fechados em 1815/1816. Em novembro do mesmo ano a Ordem contratou novamente o mestre Felipe Alexandre da Silva, para fazer a talha dos altares que deveriam ser reabertos, por 400$000 (quatrocentos mil réis) cada um, recomendando que ambos ficassem prontos para a festa do ano seguinte. Pela execução pontual do trabalho, a Mesa pagou mais 150$000 (cento e cinqüenta mil réis) de gratificação ao mesmo Felipe Alexandre.

A pintura e douramento destes altares recém entalhados somente ficou pronta em 1836.(p. 22-23)

1843
Mais uma vez a grade que separava a Igreja dos Terceiros/Capela Dourada, da Igreja conventual franciscana foi substituída; desta vez por uma grade de ferro, que ainda hoje se encontra no local.(p. 18)

1850 – 1851
Fatura das calçadas diante da Igreja nova dos Terceiros.(p. 23)

1855 – 1856
Fatura da escada, em pedra, que dá acesso ao coro e ao Hospital.(p. 23)

1862 – 1863
Colocação da iluminação a gás carbônico na frente da Igreja, consistório, claustro e Hospital.(p.23)

Em 1862 foram feitas as cômodas e repositórios que existem na sacristia.(p. 25)

1866 – 1867
Nesta época, a fim de terminar as obras da nova Igreja da Ordem, os próprios irmãos fizeram um empréstimo voluntário, sem juros, com um ano de prazo para pagamento, contribuíram 54 irmãos, totalizando 15.400$000 (quinze contos e quatrocentos mil réis).(p. 79-80)

Em 1867 acabou-se a pintura e douramento de todo o corpo da nova Igreja principal dos Terceiros e douramento do teto da sua capela-mor. Também neste ano a Mesa decidiu pintar de branco toda a talha da capela-mor, capelas laterais e tribunas.(p. 23) Seria totalmente dourada a decoração original das talhas da Igreja?

A escada que dá acesso ao prédio onde funcionava também teve suas pedras originais trocadas por mármore e azulejos.(p. 23)

1871 – 1872
Fatura do coreto para os músicos, no coro.(p. 24)

1927 – 1928
Foram realizadas reformas na Capela Dourada, que ficara praticamente abandonada por longo tempo. Nesta reforma muitas telas foram retocadas, como era uso fazer-se na época.(p.14)

Fonte

Inventário pesquisado no acervo técnico da biblioteca do IPHAN de Pernambuco

Fonte

Inventário pesquisado no acervo técnico da biblioteca do IPHAN de Pernambuco

Pesquisado emBiblioteca do IPHAN de Pernambuco

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