Recife

Igreja Nossa Senhora da Conceição (JAQUEIRA)

acesseigrejas on 09/06/2019

Capela de Nossa Senhora da Conceição da Jaqueira

De todos os sítios recifenses – e “sítio” tem aqui o significado de quinta ou chácara – o sítio da Nossa Senhora da Conceição da Ponte D’Uchoa é um dos mais conhecidos e, certamente, um dos mais queridos de nossa gente. As suas vastas mangueiras e Jaqueiras Veneráveis, a sua aléia de palmeiras imperiais e, sobretudo, a sua capelinha branca, fazem dele hoje, depois de ter sido ajardinado, um ponto de atração e curiosidade para os da terra e para os de fora.

Poucos sabem, porém, que, depois dos engenhos que se transformaram em subúrbios recifenses – Dois Irmãos, Apipucos, Monteiro, Madalena, Cordeiro, etc. – foram os sítios, retalhados em lotes, que deram origem a outros muitos arrabaldes: os sítios do Espinheiro, da Capunga, das Jaqueiras, do Fundão, dos Peixinhos, da Matinha estão citados em jornais do Recife do começo do século XIX, a demonstrar como se originaram os topônimos e vários dos arrabaldes de hoje.

O loteamento dos sítios foi um acontecimento de fins da década de 1830, mas tomou impulso na de 1840 e o iniciador dessas operações imobiliárias foi um francês, Nicolau Gadault, que residiu em Pernambuco cerca de 40 anos, tendo falecido com 61 em fevereiro de 1856. Ao noticiar a sua morte um correspondente do Diário de Pernambuco escrevia: “O falecido Sr. Gadault foi um dos estrangeiros que maiores benefícios fêz à nossa cidade, promovendo a povoação de alguns de seus arrabaldes mais notáveis hoje, pois que costumava comprar terrenos e dividi-los em pequenas propriedades, de sorte que, em pouco, lugares Dante inabitados, ofereciam-se aos olhos do observador como que por magia arruados e com população crescida. Aí está, por exemplo, a Capunga coberta de casas, a Baixa-Verde, os Coelhos, etc., etc., nas mesmas condições; tudo isto devido ao seu sistema de dividir esses pequenos terrenos em propriedades”.(1)

Anos mais tarde, o engenheiro Antônio Feliciano Rodrigues Sete recordava a ação que “por certo imortalizará o seu nome”, do francês Gadault, ao mesmo tempo que se desvanecia de ter concorrido para o retalhamento de vastas propriedades territoriais do contorno da Cidade do Recife: “O finado Gadault manifestou um pensamento útil e proveitoso, aumentando os estreitos limites do perímetro da capital de Pernambuco, já realizando o retalhamento do sítio do Coelho, na parte meridional do Bairro da Boa Vista, oferecendo novas ruas à edificação particular, já retalhando o sítio do falecido Herculano Alves da Silva, na Soledade, e já dividindo o sítio da Capunga, onde hoje se contempla um pitoresco e magnífico arrabalde.

“E se êsse inteligente e útil cidadão francês nunca foi convenientemente considerado pelo governo do país, nem ao menos pela Câmara Municipal desta capital, sirva de consoladora animação aos seus descendentes a saudosa e simpática recordação que eternizará necessariamente a sua memória em muitos peitos de brasileiros desfavorecidos da fortuna, a quem beneficiou generosamente, facilitando visivelmente a venda de suas terras, o que por certo imortalizará o seu nome”.

“Apreciando devidamente o alcance de tão elevada idéia, desvaneço-me em ter concorrido para a divisão do sítio do Campo-Verde, pertencente aos herdeiros do finado Senador Manuel de Carvalho Paes de Andrade, ao lado setentrional da rua Corredor do Bispo, abrindo novas ruas à edificação; do sítio do finado Barão de Itamaracá (o primeiro do título, o desembargador Tomás Antônio Maciel Monteiro), ao lado ocidental da Rua do Hospício e do sítio do finado Herculano Alves da Silva, na Soledade. E tenho-me encarregado de dividir o sítio da extinta Associação de Fiação e Tecidos de Algodão, ao lado setentrional da Estrada de João de Barros; o sítio dos Herdeiros de Joaquim Fernandes de Azevedo da parte do norte da Rua ou Estrada do Pombal; o do Chacon, pertencente aos herdeiros de Antônio da Silva e Companhia, todos nesta capital do Recife. Na comarca de Olinda tenho dividido os sítios de Água Fria, pertencente ao Sr. Pedro de Souza Tenório; das Roseiras, pertencente aos Herdeiros do Tenente-Coronel Joaquim Elias de Moura; do Fundão, ao Sr. Antônio Botelho Pinto de Mesquita e agora estou realizando a divisão do de Aguazinha”. (2)

Poucos sítios recifenses atravessaram os anos sem sofrer a ação sem dúvida democratizadora, da ocupação por “brasileiros desfavorecidos de fortuna”, dos grandes tratos territoriais prestigiosos ou bem situados; sem que o Gadault e os sete os retalhassem “à vontade dos compradores”, como se lê em tantos anúncios da época. Um desses sítios que chegou intacto aos nossos dias, foi o da Conceição da Ponte d’Uchoa, o qual, após ter abrigado um campo de jogo de foot-ball, esteve por muito tempo abandonado e quase mal-assombrado.

A velha casa do sítio, depois de ter assistido a ruidosos repastos na época em que era seu proprietário Bento José da Costa, durante o governo de Luís do Rego Barreto (1817-21), esteve ao desamparo e arruinou-se. Era “um belo e grande prédio de dois pavimentos… em frente ao qual, sob frondosas mangueiras, levantara Bento José da Costa um bonito pavilhão onde tina lugar animadíssimo jogo e refeições em lauta e profusa mesa”. (3) Em 1858 estava já ao abandono: “Existe na Estrada da Ponte d’Uchoa um velho sobrado que foi do falecido Coronel Bento José da Costa, que já não é habitado e que está por momentos a desabar”, registrou o redator da “Página Avulsa” do Diário de Pernambuco em 28 de abril; e, em 30 de junho do mesmo ano, o mesmo jornal, sob a epígrafe “Casa tradicional”, chamava a atenção das autoridades para o sobrado: “já a casa está sem coberta e as paredes fendidas ameaçam próxima ruína”. E, mais tarde, com evidente satisfação, anunciava em 8 de julho, ainda em 1858, a “Demolição do sobrado tradicional. Êsse sobrado de que, por vezes, nos havemos ocupado, acha-se hoje demolido por ordem do Sr. Manuel José da Costa, tutor dos órfãos do Comendador José Ramos de Oliveira. Era uma medida há muito reclamada, a fim de evitar-se o perigo que corriam os viandantes que, descuidados, por ali transitavam”.

Como tantos outros sítios recifenses – cada um dos quais tinha a sua denominação própria: sítio dos Quatro Leões, sítio do Cajueiro, sítio dos Buritis; ou era conhecido pelo nome do proprietário: sítio de D. Catarina, sítio do Dr. Jacobina, sítio do Feitosa – o de Nossa Senhora da Conceição da Ponte d’Uchoa , situado à margem esquerda do Rio Capibaribe, tinha a sua capela. Capelas de sítios são também a de São José do Manguinho, a de Nossa Senhora dos Remédios, Na Estrada do mesmo Nome, a de Nossa Senhora dos Aflitos (hoje, Avenida Rosa e Silva), a de Nossa Senhora da Conceição, na Estrada (hoje Avenida) de João de Barros, etc.

A Capela da Conceição da Ponte d’Uchoa (conhecida também com da Jaqueira, ou, mais exatamente, das Jaqueiras, por ter existido próximo um sítio com este nome: “Desapareceu do sítio das Jaqueiras, na Ponte d’Uchoa uma vaca tôda preta”, lê-se num anúncio do Diário de Pernambuco de 18 de outubro de 1849) foi construída em 1766 por iniciativa de Henrique Martins, então senhor das terras. Para fazê-lo, instituiu o competente patrimônio canônico, “constante de uma data de terra encravada no mesmo sítio, no valor de 120$000”, conforme informação do historiador Pereira da Costa, que examinou no arquivo da Câmara Eclesiástica, o próprio original do processo que transitou no Bispado, arquivo infelizmente destruído. (4)

Henrique Martins nasceu em Oeiras, então termo da Cidade de Lisboa, em cuja freguesia foi batizado em 10 de agosto de 1704, filho legítimo de Manuel Martins e de Páscoa Duarte. O pai fôra inicialmente mestre sapateiro mas “depois foi fazendeiro ou caseiro de um estrangeiro chamado Jacques Koster”. Este aproveitou-se dos serviços do filho do seu caseiro, para o enviar várias vezes a Pernambuco com fazendas a vender. Jacques Koster era hamburguês e, talvez, ligado ao ramo inglês da família, poi havia em 1787 em Lisboa um João Teodoro Koster, que cobrava de uns moradores de Goiana (Pernambuco) um débito de mais de cinco contos de réis, de fazendas vendidas. Henry Koster, autor de Travels in Brazil, refere-se a essas ligações comerciais de sua família com o Nordeste do Brasil.

Depois de várias viagens a Pernambuco, Martins casou-se aqui com Ana Maria Clara, natural do Recife e filha do Capitão João Machado Gaio, natural de Vila dos Cascais e de Ana Gomes de Barros, recifense, e aqui se fixou. Tornou-se homem abastado, acionista de 10 ações (de 400$ cada uma) da Companhia de Comércio de Pernambuco e Paraíba, familiar do Santo Ofício, Oficial da Ordem de Cristo, Capitão de Granadeiros da infantaria auxiliar do Terço da Praça do Recife e, depois, Mestre de Campo do Terço velho de auxiliares da mesma praça. (5)

Casal muito devoto, Martins e a mulher recorriam freqüentemente à interseção da Virgem e demonstraram a sua gratidão através de vários ex-votos – em dois dos quais se vê o Mestre de Campo, doente de “erisipela” em seu quarto, deitado na cama e coberto com uma manta estampada com motivos de ramagens azuis e vermelhas, com o médico e a mulher ao pé – e da doação de um terreno onde foi levantada, depois de 1772, uma outra capela, de invocação de Nossa Senhora da Saúde, no Poço da Panela. (6)

Escravos, como o preto Antônio, recorriam também ao socorro da Virgem. Um dos ex-votos rememora a “Mercê que fes Nossa Senhora da Conceição a Antônio escravo do /mestre de Campo Henrique Martins; querendo atrauessar este rio na ponte dochoa para outra banda sem saber nadar, chaio no fundam e a correnteza dagoa o levou por baso da ponte te coazea oleria do Cappitam Joam de Andrade e chamado por esta Snra., da mesma olaria le acodirão e o salvaram, ficando livre de morrer afogado, em dias de agosto de 1770”.

É para lamentar que não se tenham conservado os papéis particulares da casa de Henrique Martins e, assim, nada se pode saber acerca da construção da Capela da Conceição. Pela comparação de pormenores do seu frontispício com outras Igrejas, da mesma época, do Recife e de Olinda, o Professor de Arquitetura no Brasil, da Escola de Belas Artes da Universidade do Recife, Ayrton Carvalho, presume que o projeto ou “risco” (e, também, a execução) seja de autoria do Mestre Pedreiro Francisco Nunes Soares, o qual, segundo D. Clemente Maria da Silva Nigra, O. S. B., foi o construtor da fachada da Igreja do Mosteiro de São Bento de Olinda, em 1761-63. (7)

Muito pouco se conhece da vida e atividades profissionais de Francisco Nunes Soares. Em 28 de Outubro de 1770. no Recife, subscreveu o “Compromisso e Regimento da Irmandade e Bandeira do Patriarca o Sr. São José”, ereta na Igreja de São José de Ribamar (do Recife), dos quatro ofícios de pedreiro, marceneiro, carpinteiro e tanoeiro. Em 1774 e 75 foi escrivão do ofício de pedreiro; em 1778 e 79 foi Juiz do mesmo ofício e avaliador dos prédios urbanos do Recife. De 1785 a 86 trabalhou na obra da fachada da Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, dos Montes Guararapes. (8)

A situação econômica de Henrique Martins parece ter decaído no fim de sua vida: só assim se explica que, como tesoureiro-mor da Bula da Santa Cruzada do Bispado de Pernambuco, fosse responsável por um alcance de 8:101$849. Falecido em agosto de 1782 (a mulher falecera pouco antes, no mesmo ano), prosseguiu o seqüestro dos bens que deixara, para ressarcimento do desfalque. Entre os bens apreendidos estava “o prédio rústico denominado da Conceição da Ponte d’Uchoa” avaliado em 3:246$, com todas as suas benfeitorias, que compreendiam o portão do sítio e o cais que ficava na margem do Rio Capibaribe, entre os quais passava a estrada pública, avaliados em 400$, 3 cacimbas e um chiqueiro, avaliados em 116$ e a Capela com as alfaias e ornamentos, avaliada, aquela, em 900$ e estes em 27$790. O sítio foi arrematado por Domingos Afonso Ferreira. Era herdeiro único do casal, o Padre Henrique Martins Gaio. (9)

Lamentavelmente, faltam-nos informações sobre o período final do século XVIII e começos do seguinte, sobre o sítio da Conceição e seus proprietários. Por volta de 1816 era senhor dele o abastado comerciante português, Bento José da Costa, minhoto de nascimento, casado com Ana Maria Teodora.

É interessante informar que tanto Henrique Martins como Bento José da Costa estiveram em contato constante com os principais artistas pedreiros, marceneiros, pintores, etc., do seu tempo no Recife, pois foram ambos, por muitos anos, “administradores da obra” da Igreja do Corpo Santo. Do primeiro temos notícia de que, pelo menos desde 1770 (quando se iniciam os registros do livro manuscrito, onde colhemos esta indicação) e até a sua morte, em 1782, exerceu aquela função; do segundo, consta que de 1801 a 1802 e outros anos posteriores, ocupou idêntico cargo na Irmandade administradora daquela Igreja. (10)

Bento José da Costa – cabeça de vasta família recifense, de onze filhos – aqui faleceu em 10 de fevereiro de 1834, com 75 anos e meses de idade, sendo enterrado na Igreja de São Pedro dos Clérigos e cujos restos mortais foram trasladados posteriormente para a Capela da Conceição, onde se encontram no chão da capela-mor. (11)

Lembre-se, por fim, o visitante de hoje que na Capela ocorreu, em 16 (ou pouco depois) de março de 1817, o casamento de uma filha daquele patriarca, de nome Maria Teodora, com um dos chefes da Revolução Republicana daquele ano, Domingos José Martins. A cerimônia foi realizada sem perda de tempo, como se o noivo estivesse a prever o seu próximo fim (que, de fato, ocorreu em 17 de junho do mesmo ano) e, como no soneto famoso, considerasse para tão grande amor tão curta a vida. Justificando-se perante o Rei, D. João VI, depois da derrota dos revolucionários, de qualquer suspeita de aprovação sua, do casamento, escreveu Bento José da Costa: “O suplicante sendo um dos negociantes mais acreditados na dita praça do Recife, tinha atraído a ambição do réu Domingos José Martins, que julgando um meio possível, para se apoderar de parte da sua fortuna, enlaçar-se com a família do suplicante, tentou por dois anos consecutivos, casar-se com uma de suas filhas, e por isso mesmo que o suplicante nem o tinha em bom conceito, nem com êle tinha amizade, sempre se opôs a esta pretensão e sempre a desviou de chegar a efeito, sem lhe embaraçar a vontade de sua filha, que via no pretendente simplesmente o homem físico, mas não o homem moral. No fatal e desgraçado dia 6 de março do ano próximo passado (de 1817) apareceu aquêle rebelde à testa da conspiração e de fôrça armada marchou logo a completar um dos projetos que a sua vaidade e ambição lhe tinham ditado, conseguindo pela fôrça o que não tinha podido obter da vontade de um Pai prudente e vigilante… não obstante a estimação decisiva do suplicante por uma filha a que sempre amara com predileção”. (12)

A Capela de Nossa Senhora da Conceição  – com o seu adro que nos convida a nele ingressar – apesar da decoração barroca do seu interior, guarda ainda o sentido clássico de equilíbrio das formas. Quem nela entra, logo percebe que os dois grandes quadros – pintados sobre madeira – representando, um, São João Batista e São Filipe Néri, outro, Santo Henrique (Imperador romano canonizado em 1146, santo do nome do fundador da Capela), ali estão para contrabalançar as duas tribunas que se abrem na nave, do lado oposto, e que o simulacro de púlpito, metade talha e metade pintura sobre madeira, apresentando Santo Antônio de Lisboa a evangelizar – peça que é, certamente, a mais preciosa do conjunto – está ali para corresponder ao púlpito que fica em frente.

Os forros do coro, da nave e da capela-mor tem pinturas, provavelmente de fins do século XVIII, anônimas. O do coro apresenta a dos esponsais de Nossa Senhora e São José; o da nave (em “masseira”) oferece a da efígie da Padroeira, com florões e emblemas da Virgem – a “casa de ouro”, a “torre de marfim”, o “espelho de justiça”, a “estrêla da manhã”, as coroas de “Rainha de todos os Santos” e “Rainha das Virgens”, etc. – e “Salve Regina Mater Misericórdia”; o da capela-mor, a da Anunciação, com um belo ondeado de uma guirlanda de flores que se enlaça em uma balaustrada, sobre a qual anjos sustentam uma outra guirlanda, em torno do medalhão central.

Lamentavelmente, nenhuma pintura está assinada e não há elementos documentais a esclarecer a sua autoria, embora seja possível estabelecer ligações com outras, de igrejas do Recife, da mesma época.

O altar barroco, mas que apresenta alguns motivos rococó, tem a imagem da padroeira* e dois relicários.

Na capela-mor há um manuscrito encaixilhado contendo a tradução de um Breve de indulgência, datado de Roma, 13 de novembro de 1781, no qual o Papa Pio VI concede a todos os fiéis “que verdadeiramente arrependidos de suas culpas, confessando-se e comungando, visitarem a Capela de Nossa Senhora da Conceição das Barreiras… desde as primeiras vésperas do dia da festividade da Mesma até o sol posto do mesmo dia e aí rogarem a Deus pela paz e concórdia entre os Príncipes Cristãos, extirpação das heresias e exaltação da Santa Madre Igreja, indulgência plenária e remissão de todos os pecados”. E ainda concede aos que, “confessando e comungando, visitarem a mesma capela nos nove dias que imediatamente precedem ao dia da festividade da Mesma Senhora e aí rogarem, como acima se diz, em qualquer dos nove dias que isto fizerem, sete anos e sete quarentenas de perdão, conforme o costume da Santa Madre Igreja. Não obstante tôdas e quaisquer determinações em contrário, este terá o seu vigor em todos os tempos, presentes e futuros”.

É este Breve o único documento contemporâneo que conhecemos em que a Capela aparece com a denominação de Nossa Senhora da Conceição das Barreiras; a qual tem explicação no fato de estar levantada em um dos raros trechos da zona urbana em que o Rio Capibaribe, que lhe corre ao pé, está margeado por barreiras ou ribas elevadas.

Além das pinturas, da talha da capela-mor, da grade (de jatobá) da nave, com lugar para dois confessionários nos extremos, a Capela está ornada de azulejos, em nada notáveis: na nave estão seis painéis da história de José no Egito – feitos aliás tendo como modelo gravuras de Demarne (1728); no coro, dois da história da Virgem e, na sacristia, uma barra com cenas de caça e pesca. (13)

A Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional procedeu, em 1944, ao levantamento arquitetônico completo da Capela, o qual tornou possível a sua restauração quando foi saqueada em 1951, ocasião em que foram roubadas todas as portas e janelas internas e externas do andar superior e dos armários da sacristia.

A Prefeitura Municipal do Recife na gestão do Sr. José do Rego Maciel fez ajardinar a área em torno da Capela, segundo planos do Sr. Roberto Burle-Marx, projeto que o ilustre paisagista ofereceu à DPHAN, sem qualquer retribuição.

Fonte
Acervo IPHAN

Este texto foi produzido por Antônio Menezes e Cruz, e, faz parte do Arquivo da 5ªSR IPHAN (Arquivo Geral, Capela da Jaqueira [34 – Identificação Recife], pasta 01.1.

Pesquisado emBiblioteca do IPHAN de Pernambuco

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