INFORMAÇÕES GERAIS
MUNICÍPIO/UF
Olinda/PE
DISTRITO/BAIRRO
Sítio Histórico de Olinda
ENDEREÇO
Rua de São Francisco, 280 – Carmo, Olinda – PE, 53120-070
PROPRIETÁRIO
Ordem Primeira, dos Frades Menores Franciscanos
PROTEÇÃO LEGAL
Tombamento Federal – IPHAN Processo nº 143-T-38, Livro das Belas Artes, folha 33, inscrição nº 189, 22/07/1938
USO ATUAL
Culto religioso
O Convento Franciscano de Nossa Senhora das Neves é dentro da Ordem dos Franciscanos, o mais antigo do Brasil, fundado em 1585 a partir de uma doação feita por Dona Maria Rosa de uma pequena casa e também uma igreja e amplo terreno que eram de sua posse. Após a doação os frades iniciaram, em 1856, obras de acréscimo e melhoria destinadas à recepção de noviços e a construção de um seminário que foi concluído em 1590. As obras do convento se estenderam até 1630, quando o olindense frei Antônio dos Anjos as deu por encerradas.
O convento passou por dificuldades durante a ocupação holandesa em Pernambuco no século XVII, sendo tomado no ano de 1630. Foi reconstruído no século XVIII (1715 – 1755), época na qual foram provavelmente criadas suas obras de arte mais notáveis. Tendo sido as obras iniciadas em 1662, prolongando-se por toda a segunda metade do século XVII, conforme demonstra a inscrição anotada por Pereira da Costa na base de uma crus de via-sacra, afixada junto aos arcos de sua fachada.
Todavia, ainda subsistem indícios do século XVII, como as arcadas do claustro, os arcos das edículas do lavabo e do altar da sacristia, o campanário e os azulejos policromados da sala do capítulo.
Como observado por Germain Bazin e destacado por Leonardo Dantas Silva na publicação Pernambuco Preservado (Silva, 2008, p.100):
O claustro contém uma pedra tumular do frei Joseph de Santo Antônio, falecido em 1686. As arcadas do claustro não podem, devido ao seu estilo, remontar além dos anos 1700. Mas as construções que o cercam são anteriores. A escada que dá para os dormitórios, com seus azulejos de tapete azuis e amarelos e seus pilares guarnecidos com almofadas, é nitidamente do século VII. A arcada que se abre para a edícula [nicho] do lavatório da sacristia reproduz literalmente arcadas da galilé de Ipojuca, o que indica a mesma oficina e a mesma data, por volta de 1660. Não podemos saber como era o arco cruzeiro da igreja, pois este foi disfarçado ao século XVIII por uma decoração de talha. Porém a capela-mor contém uma sepultura de David de Albuquerque, de sua esposa e de seus filhos, datada de 1693. O campanário, pelo seu estilo, é do século XVII.
Sacristia

Entre as obras principais do século XVIII figura, sem dúvida, como uma das mais importantes, a Sacristia, com seus azulejos, lavabo, mesa de mármore, arcaz com alçado, o teto apainelado e o armário de amictos¹. No inventário da Sacristia há informações detalhadas sobre este belo conjunto que a compõe.
Conforme Leonardo Dantas Silva (Silva, 2008, p. 100):
A sacristia que pertence ao século XVII, como é atestado pelo arco de entrada da edícula do lavabo, foi ricamente decorada no século XVIII. Ela é coberta de azulejos com motivos arquitetônicos do estilo D. João V. Possui um lavabo de lioz português. Os arcazes apresentam na parte superior uma pesada decoração, na qual se destacam espelhos inclinados.
Sala do Capítulo
A Sala do Capítulo² é outro local deste conjunto tombado que merece destaque. No caso da Igreja e Convento de Nossa Senhora das Neves, a Sala do Capítulo é conventual e nela quem se reúne não são os clérigos seculares³, mas frades constituindo uma assembleia franciscana para, em comum, deliberarem sobre seus problemas.

O silêncio do lugar, o colorido dos painéis do teto, o dourado do retábulo e altar, as cores brilhantes dos azulejos do século XVII, o ocre da tijoleira sob a ação da luz, coada pelas janelas, cria um ambiente impressionante, certamente mais vizinho do século XVII do que da época de Dom João V. No centro da sala, bem de frente para o altar, encontra-se uma lápide de mármore do túmulo brasonado do Capitão Francisco do Rego Barros, sua esposa Dona Arcangela da Silveira e seus filhos herdeiros.
¹Trata-se de uma das seis peças que compõem o paramento, com que o sacerdote se veste para celebrar a Missa. Tem a forma de um lenço grande com uma cruz ao centro e, na parte superior, duas fitas compridas que, depois de colocado o amicto sobre os ombros, passam por debaixo dos braços, cruzam nas costas e atam no peito. É um símbolo de pureza.
²Chama-se Capítulo a reunião de Cônegos de uma igreja ou catedral, formando um colegiado (ou conselho) constituído canonicamente para aconselhar o Bispo e tomar decisões sobre a governança da ordem. É uma assembleia periódica e oficial de membros eleitos, que funciona como o órgão máximo de governo, reflexão e deliberação daquela comunidade. Os Capítulos podem ser conventuais, provinciais para o conjunto de uma província e gerais, para toda a ordem religiosa.
³Clérigos Seculares são sacerdotes e diáconos da Igreja Católica que vivem “no mundo” (saeculum), em contato direto com a comunidade, sem pertencer a ordens religiosas ou mosteiros. Diferente do clero regular, eles não fazem voto de pobreza, obedecem diretamente ao Bispo Diocesano e atuam geralmente em paróquias.
Igreja de Nossa Senhora das Neves
Segundo o pesquisador José Jorge, a invocação de Nossa Senhora das Neves possui origem europeia e tem referência na tradição romana da dedicação de Basília de Santa Maria Maior, erguida após uma miraculosa queda de neve ocorrida em pleno verão. Segundo o autor este episódio simbólico encontrou ressonância no contexto da colonização portuguesa e foi trazido para o “Novo Mundo” como uma expressão da continuidade da fé católica no território ultramarino (Jorge, 2026, p.25-26).
A partir da pesquisa de José Jorge (2026) é possível saber que os franciscanos chegam em Olinda em 12 de abril de 1585, ficando inicialmente abrigados na residência do casal Felipe Cavalcanti e Catarina de Albuquerque Arcoverde. Posteriormente os franciscanos se acomodaram em residências próximas a Santa Casa de Misericórdia, onde permaneceram até 4 de outubro 1585. Dona Maria Rosa, devota da Ordem Franciscana, doou aos frades um terreno onde já havia uma Capela consagrada a Nossa Senhora das Neves, uma casa de recolhimento (onde residia Dona Maria Rosa e outras mulheres) e uma olaria. Segundo o pesquisador esse terreno se entendia até a faixa de areia, sendo esta praia chamada por longos anos de “praia de São Francisco”. Em 1586 os frades iniciaram as primeiras obras de ampliação das antigas casas doadas. Estas obras foram concluídas em 1590. (Jorge, 2026, p. 28-29).



A configuração atual da Igreja de Nossa Senhora das Neves deve ser compreendida no contexto de sucessivas fases de edificação, intervenção, reconstrução e restauro. O que vemos atualmente é resultado de um processo contínuo de intervenções realizadas ao longo dos séculos XVII e XVIII. A nave central da igreja conventual passou por grande reforma a partir de 1715, época em que foi acrescentada a atual decoração, com talhas em estilo Dom João V. No altar mor, a imagem de Nossa Senhora das Neves, e nas paredes, azulejos portugueses retratando cenas da vida de Maria.




Capela de São Roque
No ano de 1711, os membros da Ordem Terceira (leigos) iniciaram obras para a construção de uma capela própria, que foi dedicada a São Roque. Possui um teto belamente adornado em caixotões, com pinturas retratando santos franciscanos. Esta capela é ligada à igreja principal por um grande arco entalhado em madeira.

A Igreja e Convento de Nossa Senhora das Neves da Ordem Franciscana é um local onde podemos apreciar a paz, o silêncio e a contemplação da vida monástica franciscana enquanto nossos olhos percorrem a beleza e riqueza de detalhes de suas artes sacras. A história deste patrimônio sacro de Olinda revela o trabalho do tempo e das influências luso-brasileiras na iconografia e arquitetura católica brasileira.
Destaques
A Igreja e Convento de Nossa Senhora das Neves da Ordem Franciscana é conhecida nacionalmente e internacionalmente por seu conjunto de azulejos portugueses considerado um dos maiores e mais importantes acervos do Brasil, datando dos séculos XVII e XVIII.
Parte do conjunto de azulejos do claustro foi criado por Bartolomeu Antunes de Jesus em 1737, um renomado mestre azulejador de Lisboa.
A visita ao local permite observar a transição do barroco joanino para o rococó.
Em 1831, foi instalada no local a primeira biblioteca pública de Pernambuco. Hoje a biblioteca se encontra localizada em um casarão na Praça do Carmo e abriga um acervo de aproximadamente 10 mil livros.
Dentre as curiosidades da igreja conventual, destaca-se a imagem de Santo Antônio que ali se conserva. Em 1685, foi a imagem do santo incorporada às tropas que naquele ano seguiram para a chamada “Guerra dos Palmares”, com a finalidade de “proteger as armas reais na conquista do quilombo”. Por força de portaria do governador Dom João da Cunha Souto Maior, datada de 13 de setembro daquele ano, abria-se o assentamento de praça de soldado ao glorioso Santo Antônio de Lisboa, “determinando que se pagasse ao síndico do Convento dos Franciscanos em Olinda o soldo a que o novo soldado tinha direito e mais a importância do fardamento que lhe competia (Silva, 2008, p.101).
Galeria de imagens
Texto elaborado a partir de:
Pesquisa Acesse Igrejas no acervo histórico do IPHAN, responsável pela pesquisa Ma. Juliana Cintia.
Jorge, José. (2026) O altar-mor de Nossa Senhora das Neves: Convento de São Francisco de Olinda. Recife-PE: Ed. do Autor.
SILVA, Leonardo Dantas. Pernambuco preservado: histórico dos bens tombados no estado de Pernambuco. Recife: L. Dantas Silva, 2002. 272 p. Histórico de 76 monumentos e quatro sítios históricos tombados pelo IPHAN no Estado de Pernambuco.
Informações do site https://sanctuaria.art/2016/02/11/convento-franciscano-de-nossa-senhora-das-neves-olinda-pe/







