INFORMAÇÕES GERAIS
MUNICÍPIO/UF
Olinda/PE
DISTRITO/BAIRRO
Monte
ENDEREÇO
Avenida Dom Bonifácio Jansem, 578-718, Olinda-PE, 53240-140
PROPRIETÁRIO
Monjas Beneditinas
PROTEÇÃO LEGAL
Tombamento Federal – IPHAN Processo nº 170-T-38, Livro Histórico, folha 16, inscrição nº 87, 16/07/1938
USO ATUAL
Culto religioso
Há indícios, sustentados em documentação histórica, que apontam a Igreja de Nossa Senhora do Monte como uma das igrejas mais antigas existentes em Pernambuco e, por conseguinte, no Brasil. Duarte Coelho ao outorgar a carta Foral da Vila de Olinda, reservou para os habitantes locais as terras do outeiro do monte, com exceção das cem braças situadas ao redor da Igreja de Nossa Senhora do Monte, que já existia naquele local.
Esta primazia tem sido atribuída, em geral, a Igreja Matriz dos Santos Cosme e Damião, em Igarassu que tem como seu ano de construção 1535, mesmo ano da chegada de Duarte Coelho a Pernambuco, segundo informações registradas pelo Frei Rafael de Jesus que teve como base os documentos originais de Diogo Lopes Santiago. Mas a menção à Igreja de Nossa Senhora do Monte feita em documentação oficinal do primeiro donatário, Duarte Coelho e corroborada pela sua viúva Brites de Albuquerque que reitera a doação daquelas terras à Igreja do Monte se referindo a ela como pré-existente. Neste sentido a Igreja do Monte possui um documento de autenticidade estabelecida e de data conhecida indicando sua origem e antiguidade.
No ano de 1596, a igreja de Nossa Senhora do Monte esteve sob a posse dos monges beneditinos por determinação do Bispo Dom Frei Antônio Barreiros. Ali os monges permaneceram até construírem seu mosteiro no Varadouro da Galeota.
Ao se transferirem para o novo mosteiro os beneditinos mantiveram a posse da Igreja. A Igreja de Nossa Senhora do Monte parece não haver sofrido com o incêndio de Olinda pelos Holandeses em 1631, pelo fato de encontrar-se afastada do perímetro mais densamente urbanizado da Vila naquela época.
Após a expulsão dos holandeses, a Igreja do Monte foi abandonada pelos beneditinos, ficando aos cuidados dos poucos moradores e romeiros. Depois de passar por inúmeras reformas no século XIX, o mosteirinho e Igreja de Nossa Senhora do Monte foi entregue aos cuidados das freiras da Ordem de São Bento, que chegaram da Alemanha, em Pernambuco (1903), para ocupar o Hospital da Misericórdia, incluindo sua igreja e casas anexas, onde fundaram a Academia de Santa Gertrudes.
A sua ocupação atual pelas monjas beneditinas data de agosto de 1963 tendo sido realizada inicialmente por sete monjas vindas do mosteiro de Nossa Senhora das Graças em Belo Horizonte. O mosteiro foi elevado ao título de abadia em 1974.
O conjunto se destaca em sua simplicidade no alto do monte. É um ambiente que inspira a quietude, o silêncio meditativo e a paz. Esta paz por vezes é embalada pelo canto das irmãs beneditinas com suas vozes ecoando da clausura. As monjas se dedicam a confecção de produtos artesanais como biscoitos, licores e bordados de paramentos religiosos.
Em sua arquitetura conserva elementos do tempo primitivo. O lavabo da sacristia esculpido em calcário do século XVII tem o par correspondente, de autoria do mesmo escultor, no Mosteiro de São Bento. No fundo da nave, há nas paredes laterais dois nichos de altar contíguos, emoldurados por arcos de pilastras no estilo toscano. A fachada é ladeada por um campanário anão do século XVII e arrematada por um frontão mais tardio. A porta de entrada é do século XVII.
O altar-mor e retábulo mostram influência de diversos estilos. A mesa de comunhão em balaústres torneados de jacarandá.


Destaques
O conjunto da Igreja e Mosteiro de Nossa Senhora do Monte possui o mais antigo registro de construção religiosa do Brasil. Embora este título seja frequentemente atribuído a Matriz dos Santos Cosme e Damião, em Igarassu, a documentação histórica da Igreja do Monte comprova sua primazia enquanto igreja mais antiga.
Galeria de imagens
Texto elaborado a partir de:
Pesquisa Acesse Igrejas no acervo histórico do IPHAN, responsável pela pesquisa Ma. Juliana Cintia.
SILVA, Leonardo Dantas. Pernambuco preservado: histórico dos bens tombados no estado de Pernambuco. Recife: L. Dantas Silva, 2002. 272 p. Histórico de 76 monumentos e quatro sítios históricos tombados pelo IPHAN no Estado de Pernambuco.



