Igreja de Nossa Senhora da Graça e Seminário de Olinda

INFORMAÇÕES GERAIS

MUNICÍPIO/UF

Olinda/PE

DISTRITO/BAIRRO

Sítio Histórico de Olinda

ENDEREÇO

Rua Bispo Coutinho, S/N – Carmo, Olinda-PE, 53120-150

PROPRIETÁRIO

Arquidiocese de Olinda e Recife

PROTEÇÃO LEGAL

Tombamento Federal – IPHAN Processo nº 131-T-38, Livro das Belas Artes, folha 13, inscrição nº 69, 17/05/1938

USO ATUAL

Culto religioso

No século XVI, precisamente no ano de 1551, foi iniciada a construção da Igreja de Nossa Senhora da Graça e do Seminário de Olinda, sob as ordens do donatário Duarte Coelho. A igreja e o terreno foram doados para os jesuítas para a instituição de um colégio. Para isso, recebeu em Olinda dois representantes da Companhia de Jesus, os padres Manuel da Nóbrega e Antônio Pires.

No ano de 1567, o rei, Dom Sebastião de Portugal, confere o título de “Real Colégio” à instituição e a igreja é reformada e ampliada, de acordo com projeto do padre Francisco Dias, graças ao auxílio financeiro da coroa portuguesa. Segundo destacado por Leonardo Dantas Silva (Silva, 2008, p. 102), entre 1584 e 1592, o padre Luiz Grã decidiu fazer novos melhoramentos, para a construção de uma nave única, frontão triangular e cobertura em duas águas, seguindo uma planta inspirada no traço da Igreja de São Roque de Lisboa.

O irmão Francisco Dias, arquiteto e piloto dos mais conhecidos, ingressou para a Companhia de Jesus em 1562 e veio a falecer no Rio de Janeiro, em 1632, com a idade de 97 anos. Trabalhou ele nas obras da Igreja de São Roque de Lisboa, cujo projeto é de autoria de Afonso Álvares, tendo sido transferido para o Brasil (1577), a fim de construir o Colégio de Salvador, retirando-se depois para Olinda (1584), onde foi autor do projeto da Igreja de Nossa Senhora da Graça, que conserva “a traça de São Roque” (Silva, 2008, p.103).

No ano de 1631, com a invasão holandesa à capitania de Pernambuco, a igreja é parcialmente incendiada danificando o altar-mor e o teto. Em 1661, com a retirada dos holandeses, a igreja é restaurada e a torre é construída. Em 1759, os jesuítas são expulsos pelo Marquês de Pombal de todo o Reino de Portugal e o colégio é fechado. Posteriormente ele se torna o seminário do bispado de Olinda.

Em relação aos aspectos arquitetônicos, a igreja é rústica. O estilo mais próximo é o maneirista, que inclusive influenciou várias outras igrejas da região.

Nave da igreja.

Na imagem é possível ver o espaço que era ocupado pelo altar-mor (destruído no incêndio em 1631) e os dois altares laterais, que, talvez por estarem dentro de nichos separados, ficaram preservados apesar do incêndio. Esses altares laterais são originais, do século XVI, e provavelmente os mais antigos do Brasil. Segundo Germain Bazin, os altares laterais dessa igreja são os mais antigos monumentos de pedra, da escultura brasileira, construídos no primeiro quartel do século XVII. 

O mesmo autor vê, na capela-mor desta igreja, elementos de algumas outras românico-portuguesas, como São Pedro de Leiria, com o seu santuário cercado por dois nichos  de altares secundários, o arco do cruzeiro, no pavimento superior as duas janelas (que na Graça se torna um simples nicho) e óculo ou o nicho arrematando o conjunto. 

“A colocação de todos os elementos da composição é, portanto, rigorosamente a mesma, na igreja do século XII e na do século XVI. Em nenhum outro lugar do Brasil, senão aqui, podemos captar tão bem o peso das tradições românicas na arte portuguesa. No Brasil, o uso prolongado da construção de taipa, que não dá margem ao refinamento das formas (especialmente o emprego de curvas), talvez tenha contribuído para orientar a Colônia mais ainda que a Metrópole para as formas compactas e os volumes definidos” (Silva, 2008, p.104).

Imagem de Nossa Senhora da Graça.

No altar-mor, a imagem de Nossa Senhora da Graça é a mesma do primitivo templo, segundo atesta frei Agostinho de Santa Maria, no livro nono do seu Santuário Mariano (Silva, 2008, p.103).

Destaques

Duarte Coelho era um fidalgo português que esteve nas expedições de Afonso de Albuquerque, na Índia e em Malaca (atual Malásia). Nesta última cidade, ele já havia mandado construir uma igreja, homenageando Nossa Senhora da Graça, em um terreno elevado o que a fez ficar conhecida como “Igreja do Outeiro”. As ruínas desta igreja estão lá até hoje, porém com nome diferente, uma vez que foi dedicada ao apóstolo São Paulo, após a invasão holandesa. Essa igreja era muito parecida com a que ele construiu em Olinda mais tarde.

Após 19 anos no oriente Duarte Coelho construiu uma pequena fortuna e retornou para Portugal, onde se casou com Beatriz Albuquerque. Posteriormente, veio para o Brasil e assumiu a capitania de Pernambuco. Vindo com sua família, para um assentamento onde já viviam alguns portugueses, ele fundou a cidade de Olinda, e deu à capitania o nome de “Nova Lusitânia”. Após sua morte, sua esposa Beatriz Albuquerque – que era conhecida como “capitoa” – comandou a capitania até a maioridade de um de seus filhos, tornando-se a primeira mulher a governar uma parte do território brasileiro.

Apesar das dificuldades, a capitania de Duarte Coelho foi uma das poucas que prosperou naquela época (século XVI). A Igreja de Nossa Senhora da Graça, edificada na principal cidade da capitania, é uma testemunha quase inalterada daquele período. 

Galeria de imagens

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Texto elaborado a partir de:

Pesquisa Acesse Igrejas no acervo histórico do IPHAN, responsável pela pesquisa Ma. Juliana Cintia.

SILVA, Leonardo Dantas. Pernambuco preservado: histórico dos bens tombados no estado de Pernambuco. Recife: L. Dantas Silva, 2002. 272 p. Histórico de 76 monumentos e quatro sítios históricos tombados pelo IPHAN no Estado de Pernambuco.

Informações do site: https://sanctuaria.art/2014/06/07/igreja-e-seminario-da-graca-olinda/

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