INFORMAÇÕES GERAIS
MUNICÍPIO/UF
Olinda/PE
DISTRITO/BAIRRO
Alto do Sé
ENDEREÇO
Rua Bispo Coutinho, S/N – Alto da Sé, Olinda-PE, 53120-130
PROPRIETÁRIO
PROTEÇÃO LEGAL
Tombamento Federal – IPHAN Processo nº 142-T-38, Livro das Belas Artes, folha 35, inscrição nº 202, 05/08/1938
USO ATUAL
Culto religioso
A Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia, antiga Igreja de Nossa Senhora da Luz, da Santa Casa de Misericórdia, foi construída em 1540, por ordem da Coroa Portuguesa. Em 1630, ela foi saqueada pelos Holandeses e, no ano seguinte, ela foi atingida pelo grande incêndio que deixou a Vila de Olinda em ruínas. Após a retirada dos holandeses, ela foi reconstruída, em estilo barroco, com reminiscências da renascença portuguesa.
A Igreja da Misericórdia possui um adro com muros de arrimo e escadaria de acesso assimétrico. O frontispício da fachada possui duas volutas que se alçam sem apoio, e sobre elas um brasão real em relevo, com as armas de D. Sebastião, morto em 1578. O púlpito, em talha dourada, tem uma figura de águia bifronte que, segundo Germain Bazin, nada tem a ver com as insígnias da Casa D’Áustria, como acreditam alguns autores que aí vêem um púlpito do século XVII. O forro também é de talha e nele se enquadram painéis pintados, um dos quais, o central, representa Nossa Senhora da Misericórdia. As edificações do antigo hospital, contíguas à igreja, foram demolidas dando lugar a um colégio de freiras, a Academia Santa Gertrudes, formado pelas Monjas da Ordem Beneditina.
A Santa Casa de Misericórdia de Olinda, tratava-se de uma congênere da Misericórdia de Lisboa, irmandade portuguesa criada por homens brancos em 1498, que tinha como objetivo a prestação de socorros mútuos e auxílios aos pobres. Constituía-se, assim, na única fonte de assistência social existente no mundo português da época. Em 26 de janeiro de 1606, o rei Felipe II concedeu, à Santa Casa de Olinda, os mesmos privilégios, prerrogativas e mercês da sua congênere de Lisboa.
Em 1630, por ocasião da invasão holandesa, encontrava-se o Hospital da Misericórdia em pleno funcionamento, estando localizado no extremo sul da Rua Nova, a primeira rua da vila. Com o incêndio da Igreja e do hospital, em 1631, a Irmandade da Misericórdia se retirou para o Arraial do Bom Jesus, hoje ocupado pelo Sítio da Trindade, onde permaneceram com seu hospital de campanha até 1635. Durante a insurreição pernambucana, os irmãos da Misericórdia instalaram seu hospital em terras do Engenho de São João da Várzea, pertencente a João Fernandes Vieira, só voltando a Olinda após a expulsão dos holandeses em 1654.
A reconstrução teve início em 1655, prolongando-se por muitos anos. Sua fachada externa parece não ser obra do século XVII, o mesmo acontecendo com os seus ornamentos em talha dourada que refletem estilos de épocas diferentes. As datas que se encontram em diversos pontos atestam a progressão dos trabalhos de construção: 1707, no consistório leste; 1710, no oitão do edifício contíguo à igreja; 1736, sobre o portão que dá acesso a pátio anterior às enfermarias do hospital; 1771, sobre o arco-mor da igreja, no centro de um belo frontão de talha.
No seu traçado primitivo, a igreja dispunha apenas de capela-mor e uma pequena capela, depois substituída pelo altar da Santíssima Trindade, à face da parede junto ao púlpito. Tal capela foi originária de uma outra, fundada no século XVI por Pedro Gonçalves Cerqueira, sob a invocação de Santa Catarina, ainda existente em 1771, com o nome de Capela dos Cavalcanti. Mais dois altares foram acrescentados, nos anos que se seguiram, ladeando o arco da capela-mor, em desacordo com o plano geral da ornamentação do templo. Têm estilo de talha menos correto e mais modesto; para a sua colocação foi necessário golpear os extremos ornamentais das duas tribunas laterais, com a finalidade abrir espaço para a ornamentação superior destes altares.
Da barra de elegantes azulejos trazidos de Portugal por volta de 1760, decorados com passagens bíblicas, e que corriam todo rodapé do templo e capela-mor, só sobraram os oito painéis de pigmento azulado, localizados sob o coro. Dois foram seriamente mutilados para a colocação das pilastras de sustentação do coro e outro destruído por vandalismo. Estes últimos painéis se apresentam recortados, com pintura azul e enquadramento concheado com remates. Nestes azulejos é possível ver passagens da vida de Santa Isabel e São João Batista.
Parte da talha decorativa interna do templo foi executada em estilo D. João V, cujo reinado se estendeu por quase meio século, de 1706 a 1750. Notavelmente aplicado, nas duas águias que decoram o púlpito, assim como na base de sustentação de sua tribuna. O forro pintado é decorado com vários painéis a óleo, representando a Virgem Maria, apresentando no centro a imagem de Nossa Senhora da Misericórdia.
Todo o conjunto de painéis é emoldurado por cornija e entremeios talhados e ornamentados com motivos do mesmo período de D. João V, formando um conjunto ao mesmo tempo imponente e harmônico. Completando os elementos da nave, apresenta-se o coro, com sua balaustrada confeccionada em madeira torneada, juntamente com o cadeiral de jacarandá entalhado.
O púlpito em talha dourada. Altares colaterais com nichos. O teto da capela-mor é pintado. Retábulo e altar-mor em talha com sacrário, nicho e trono com imagem. Na capela-mor, quatro painéis representam cenas da vida de Santa Isabel e as obras da Misericórdia. A porta entre o presbitério e a sacristia é almofadada, encimada por sanefa com espelho e dossel em talha.
Segundo Germain Bazin, a atual igreja é, em sua maior parte, obra da reforma do século XVII, apesar das sucessivas intervenções posteriores. A atual decoração de talha do arco-cruzeiro traz na tarja central a data de 1771. Mas essa tarja foi acrescentada, pois a talha é nitidamente do estilo D. João V, assim como a do teto e do admirável púlpito. As talhas das duas portas da capela-mor também pertencem ao estilo D. João V. No arco-cruzeiro, encontram-se dois bustos simbolizando a Fé e a Esperança. A data de 1711 corresponde muito bem ao estilo do altar-mor pintado, em tons de mármore, devendo indicar a reforma deste altar.
Sacristia




A sacristia da Igreja da Misericórdia possui um belo arcaz de jacarandá ricamente entalhado e um belo lavabo em pedra de lioz apresentando belos golfinhos entrelaçados.
Destaques
A Igreja da Misericórdia, que fica situada no Alto da Sé e dá nome a mais famosa ladeira de Olinda, a ladeira da Misericórdia, é um templo que abriga a história do primeiro hospital do Brasil, que foi construído pela Santa Casa de Misericórdia, com o objetivo de socorrer os pobres e doentes.
No púlpito desta igreja é possível ver entalhada a imagem de uma águia bifronte que é frequentemente citada como sendo um símbolo da Casa D’Áustria, engano comum cometido por autores que aí vêem um púlpito do século XVII, segundo o pesquisador Germain Bazin.
Galeria de imagens
Texto elaborado a partir de:
Pesquisa Acesse Igrejas no acervo histórico do IPHAN, responsável pela pesquisa Ma. Juliana Cintia.
SILVA, Leonardo Dantas. Pernambuco preservado: histórico dos bens tombados no estado de Pernambuco. Recife: L. Dantas Silva, 2002. 272 p. Histórico de 76 monumentos e quatro sítios históricos tombados pelo IPHAN no Estado de Pernambuco.
Site da Biblioteca do IBGE: https://biblioteca.ibge.gov.br/biblioteca-catalogo.html?id=444192&view=detalhes






