INFORMAÇÕES GERAIS
MUNICÍPIO/UF
Olinda/PE
DISTRITO/BAIRRO
Varadouro
ENDEREÇO
Rua de São Bento, s/n, Varadouro – Olinda/PE, 53020-080
PROPRIETÁRIO
Ordem Beneditina (O.S.B.)
PROTEÇÃO LEGAL
Tombamento Federal – IPHAN Processo nº 50-T-38, Livro Histórico, folha 16, inscrição nº 86, 16/07/1938
USO ATUAL
Culto religioso
A Igreja e Mosteiro de São Bento se constituíram como o lar definitivo dos monges da Ordem Beneditina em Olinda, a partir do ano de 1598, quando eles adquiriram as terras do Sítio da Olaria no Varadouro da Galeota e iniciaram a construção do atual mosteiro. Com o advento da invasão holandesa e o incêndio da Vila de Olinda, em novembro de 1631, o mosteiro, juntamente com outras igrejas, e todo o casario da vila ficaram em ruínas. Este episódio se encontra retratado em uma gravura de Frans Post, que foi publicada no livro de Gaspar Barlaeus (1647).
Após a expulsão dos holandeses, os monges puderam retornar para o mosteiro e iniciou-se o processo de reconstrução. Segundo documentação histórica do IPHAN, entre 1651-57, o abade Frei Diogo Rangel, considerado pela crônica do mosteiro o prelado restaurador, reedificou, reformou e reergueu, no mesmo sítio, o conjunto destruído pelo incêndio. Uma nova igreja surgiu entre 1688-92, de acordo com registros da crônica do frei Theodoro da Purificação, que faz referências à sacristia de pedra e cal com pinturas de seis painéis de cenas da vida da Virgem Maria, bem como às obras dos retábulos e cadeiral da capela-mor.
Por volta da segunda metade do século XVIII, o Mosteiro de São Bento foi reconstruído e redecorado. A decoração feita nesta época é semelhante ao Mosteiro de Tibães (Portugal), casa mãe dos beneditinos brasileiros. É de lá que vieram os desenhos das talhas, altares e mobiliário da Igreja Abacial e Mosteiro de Olinda. Os riscos foram elaborados em Braga, talvez a pedido do próprio abade do mosteiro olindense que fazia visitas regulares ao monastério português, onde se reuniam os representantes de todos os mosteiros de Portugal e do Brasil.
Nesta reforma, foi ampliado o corpo da igreja. Foram instaladas novas tribunas (1746-50), construída a torre do campanário (1750-53) e levantado o atual frontispício (1760-63). O frontispício obedeceu ao projeto do mestre-pedreiro Francisco Nunes Soares que também é autor das fachadas da Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres dos Montes dos Guararapes (1785-86) e da capelinha de Nossa Senhora da Conceição da Jaqueira (1761-63).
Durante a administração do abade frei Miguel Arcanjo da Anunciação (1778-80), foram construídas a nova capela-mor e uma sacristia mais espaçosa. Durante o terceiro período de administração deste mesmo abade (1783-86), foi executado o atual altar-mor, que ainda em nossos dias chama bastante atenção por sua suntuosidade. Nesta época foi convocado o Mestre Gregório para a confecção das imagens de São Gregório e Santa Escolástica e foi atribuída à mesma oficina a confecção das tribunas e portas da capela-mor e o coro com o seu cadeiral.
No ano de 1998, a Igreja do Mosteiro de São Bento foi elevada à dignidade de Basílica Menor, pelo então Papa João Paulo II, através da Carta Apostólica Spectabile quidem.
Altar-mor do Mosteiro de São Bento
O altar-mor do Mosteiro de São Bento possuí uma magnífica obra em talha dourada, cujo risco é atribuído ao beneditino português, frei José de Santo Antônio Vilaça. No ano de 2001 o altar-mor foi totalmente desmontado, para restauração pelos conservadores da Fundação Joaquim Nabuco, e no ano de 2002 ele foi montado em uma exposição realizada no Museu Guggenheim de Nova York.
No centro do altar, encontram-se a imagem de São Bento, São Gregório e Santa Escolástica (irmã gêmea de São Bento) confeccionadas pelo mestre Gregório e estofadas pelo Pintor Francisco Xavier. De acordo com informação partilhada por Dantas (2002), Smith (1972) atribui ao trabalho do mestre-entalhador e marceneiro José Gomes de Figueiredo – cujo mobiliário de madeira integram as sacristias de São Pedro dos Clérigos, Ordem Terceira do Carmo, Convento Santo Antônio do recife e Igreja da Madre de Deus – a execução de toda talha do retábulo da capela-mor do mosteiro beneditino, assim como o elegante cadeiral, grade do coro e sanefas, além do mobiliário da sacristia:
Há cadeiras semelhantes às da Igreja de São Pedro dos Clérigos do recife, em dupla fila de cadeiras de coro nos lados da capela-mor baseadas num modelo português; as pernas, as guardas e os braços dos quais são entalhados com ornamentos rococó vigorosos, de cima a baixo, dos quais emergem botões volumosos e os orifícios frisados, que não estão mencionados no relatório trienal e podem ser atribuídos a José [Gomes] de Figueiredo, juntamente com o grande retábulo dourado, baseado no de Tibães e as seis molduras de janela com sanefas e balaustradas que parecem ser uma invenção do [próprio] Figueiredo. Pode ser acrescentado um grande oratório do coro superior de São Bento, entalhado no estilo das obras de talha de Braga, citado no relatório de 1789-93, com um número de tocheiros dourados e duas elegantes credências no estilo de Braga, uma das quais servindo, agora como mesa no altar-mor. Fabricadas no triênio 1789-93, de jacarandá especialmente selecionadas e parcialmente douradas, têm pernas e pés muito semelhantes às dos armários de gavetas da sacristia de São Pedro dos Clérigos. No Mosteiro de São Bento há três cadeiras de braços cujos altos espaldares são rodeados por painéis de abacaxi, exatamente como das credências de São Pedro dos Clérigos, equipadas com cruzetas que também aparecem nas mesas (Dantas, 2002, p.109-110).
Diante destas informações fica claro que a Igreja do Mosteiro de São Bento foi construída em diferentes épocas: no óculo da portada aparece a data 1761, no alto da fachada lateral 1779 e na lateral da sacristia 1783. No ano de 1860, o mosteiro passou por completa restauração, que destacou a belíssima capela-mor e todo seu douramento. Maria Elisa Carrazoni chama atenção para alguns aspectos atuais do interior da Igreja Abacial do Mosteiro de São Bento de Olinda, os quais merecem destaque:
Como em laje apoiada por colunas sobre base. Balaústres torneados acompanham a forma irregular da laje. As portas de acesso ao coro e as janelas laterais da nave possuem ornatos trabalhados [dourados] e balaústres torneados. Os púlpitos são ricamente trabalhados [talha dourada] e encimados por baldaquino com dossel. O arco cruzeiro em cantaria, com colunas, ladeados por altares. Capela-mor [em talha dourada] de estilo barroco, como toda a igreja quem tem influência neoclássica, devido às reformas. Teto pintado em motivos conventuais. As janelas da galeria possuem guarda-corpos decorados [dourados]. Retábulo do altar-mor de influências barroca, neoclássica e rococó. Janelas da tribuna com guarda-corpo de balaústres torneados. A capela lateral possui retábulo e altar, entalhados pelo artífice Simão, no estilo barroco [talha dourada]. A capela abacial tem porta de duas folhas com adornos, teto pintado, altar e retábulo com nichos dourados, porta lateral em arco. O forro da sacristia é pintado em painéis. Vêem-se ainda na sacristia um lavatório de pedra e diversos quadros a óleo (Dantas, 2002, p.110-111).
O Mosteiro de São Bento é um marco do barroco brasileiro e sobressai no conjunto sacro tombado do Sítio Histórico de Olinda. Sua história é um testemunho da fundação da cidade, da presença da Ordem Beneditina no Brasil e da arte sacra pernambucana.
Em sua biblioteca, funcionou, entre os anos de 1828 e 1852, a Escola de Direito de Olinda, posteriormente transferida para o antigo Palácio dos Governadores, onde atualmente funciona a Prefeitura de Olinda, e depois de dois anos para o Recife.
Sacristia do Mosteiro de São Bento
A belíssima sacristia do Mosteiro de São Bento merece um olhar atento durante a visita nesta igreja. O habilíssimo pintor e dourador José Eloy da Conceição (1785-86) deixou nela marcas de seu trabalho primoroso, que também se encontra nas igrejas de São Pedro dos Clérigos e Matriz de Santo Antônio do Recife. Na igreja do mosteiro de São Bento de Olinda, foi ele o responsável pela pintura dos três grandes painéis do forro que contam passagens da vida de São Bento, além da decoração em marmorizado que os envolve.
José Eloy da Conceição também foi responsável pelo douramento e pintura do painel do altar de Nossa Senhora da Piedade, localizado na sacristia. Neste altar, Nossa Senhora da Piedade aparece sentada e rodeada por anjos ao pé da cruz, tendo sido colocado na parte inferior um nicho contendo a imagem de madeira do “Senhor Morto”. Este mesmo artista foi o responsável pelo douramento da sacristia e estofado da imagem de Nossa Senhora do Pilar (1793), na capela do Santíssimo Sacramento.
Nesta mesma sacristia contamos com o trabalho do pintor Francisco Bezerra (1791-92), autor dos oito painéis (215 cm x 120 cm), com cenas da vida de São Bento, copiadas de estampas originárias de Portugal, dispostas sobre o arcaz e paredes do local. Também na sacristia o grande lavabo, encimado por quatro golfinhos, merece destaque. Acredita-se que ele e o lavabo da sacristia da Igreja do Monte tenham sido confeccionados em Portugal pelo mesmo artista.
Smith atribui ao trabalho do mestre-entalhador e marceneiro José Gomes de Figueiredo, cujo mobiliário de madeira integram as sacristias de São Pedro dos Clérigos, Ordem Terceira do Carmo, Convento Santo Antônio do recife e Igreja da Madre de Deus, o trabalho de execução de toda talha do retábulo da capela-mor do mosteiro beneditino, assim como o elegante cadeiral, grade do coro e sanefas, além do mobiliário da sacristia.
Destaques
Os monges da Ordem Beneditina têm uma forte relação com diversas igrejas do conjunto sacro da cidade de Olinda. Para além da Igreja e Mosteiro, que hoje são sua sede no Varadouro, os monges instalaram-se, inicialmente, na Igreja de São João Batista, no Amparo, transferindo-se posteriormente para a Igreja de Nossa Senhora do Monte, onde permaneceram até construírem seu mosteiro no Varadouro da Galeota.
Exposição no Museu Guggenheim de Nova York: O Altar-mor da Igreja do Mosteiro de São Bento de Olinda foi a peça central da Exposição Brazil: Body & Soul no Museu Guggenheim de Nova York. A obra monumental, esculpida entre 1783 e 1786, mede 14 metros de altura e pesa 13 toneladas e foi totalmente desmontada para ser levada para a exposição após passar por completa restauração pela equipe de conservação da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj).
A exposição reuniu 400 obras de arte brasileira e destacou a importância histórica do altar.
Link de reportagem sobre a exposição:
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2009200111.htm
Galeria de imagens
Texto elaborado a partir de:
Pesquisa Acesse Igrejas no acervo histórico do IPHAN, responsável pela pesquisa Ma. Juliana Cintia.
SILVA, Leonardo Dantas. Pernambuco preservado: histórico dos bens tombados no estado de Pernambuco. Recife: L. Dantas Silva, 2002. 272 p. Histórico de 76 monumentos e quatro sítios históricos tombados pelo IPHAN no Estado de Pernambuco.



